O saldo do Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) poderá ser sacado quando o trabalhador ou
qualquer um de seus dependentes for acometido por doença grave. É o que prevê o
PLS 198/2014, aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) nesta quarta-feira
(8), em decisão terminativa.
A legislação atual (Lei
8.036/1990) prevê que apenas os que se encontram em estágio terminal ou
portadores de HIV podem sacar o dinheiro do fundo. Para o autor, o ex-senador
Pedro Taques, "não é consonante com a dignidade da pessoa humana,
exigir-se que o trabalhador chegue a um estágio terminal de saúde para ter
direito a sacar o saldo de sua conta no FGTS e tentar uma sobrevida, impedindo
que busque um tratamento de saúde que melhor lhe satisfaça antes que chegue ao
referido estágio”.
Entre as dificuldades
enfrentadas pelo trabalhador e sua família durante o tratamento, o texto aponta
os gastos elevados com medicamentos que, em muitos casos, não se encontram
disponíveis na rede pública de saúde. A medida, frisou o autor, poderá garantir
as condições para a recuperação ou a estabilidade da saúde, a depender da
doença e do estágio. Caberá ao regulamento estabelecer os casos de doenças
graves que possibilitarão o saque do FGTS.
A relatora, senadora
Lúcia Vânia (S/Partido-GO), disse ser difícil não concordar com a argumentação
do autor.
— Difícil, também, é
encontrar argumentos mais consistentes do que aqueles expostos pelo autor, no
momento em que justifica a proposição. Está em questão a dignidade humana e a
manutenção da esperança para os trabalhadores e seus dependentes, com doenças
graves. Sabemos que pequenos gestos podem fazer grandes diferenças e, em muitos
casos, o saque dos recursos do fundo pode significar a cura ou uma sobrevida
digna — afirmou a relatora.
Lucia Vânia rejeitou
emenda do senador Roberto Rocha (PSB-MA) que pretendia definir quais doenças
graves podem ser consideradas para o saque, e as elencou num rol. Para a
relatora, a regulamentação infralegal, como uma portaria, é o meio mais
adequado, já que pode ser atualizada com mais agilidade do que o trâmite
legislativo permite.
Vários senadores
comemoraram a aprovação da proposta. Eduardo Amorim (PSC-SE) questionou para
que serviria o FGTS depositado se no momento da luta pela proteção a vida o
trabalhador não pode dispor do recurso. Otto Alencar (PSD-BA) afirmou que o
saque dará condições de salvar vidas e de recuperar a saúde do trabalhador ou
de seus dependentes.
— O FGTS é um recurso
do trabalhador e deve ser usado quando a pessoa mais precisa dele, na doença —
disse ainda o senador Dalírio Beber (PSDB-SC).
Se não houver recurso
para o reexame da matéria no Plenário do Senado, o projeto segue diretamente
para análise da Câmara dos Deputados.
Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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